O região ecoturística da Serra da Canastra tem mais de 200 mil hectares e abrange 4 municípios. A maior atração é o Parque Nacional da Serra da Canastra.

O Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado por meio de decreto em 3 de abril de 1972. São 71.525 hectares com 173 km de perímetro e anel de entorno de 10 Km de largura.

A formação do relevo do parque data de 900 milhões de anos. As rochas mais resistentes que formam as chapadas e serras do parque são na sua maioria de quartzito, o mica-xisto, sujeito à erosão, formou os vales.
O relevo é acidentado com fortes desníveis, penhascos, escarpas e paredões que dão lugar a dezenas de quedas d'água. Além disso o parque compreende os maciços da Serra de Sete Voltas e a Serra da Canastra, com altitudes entre 900 m e 1.460 m.

O parque é o divisor de águas das grandes bacias dos Rios Paraná e São Francisco e abriga a nascente deste último. A noroeste do parque nascem os rios tributários que formam a bacia do Paraná, vertendo para o rio Araguari, afluente do Paranaíba, na direção sul, afluentes do Rio Grande que deságuam na represa de Peixoto como o Rio Santo Antônio e o Ribeirão do Engano, este último um limite natural do parque a oeste.

Há cerca de 50 cachoeiras, aproximadamente 20 com mais de 80m de altura. A mais famosa é a Casca d'Anta (nome devido à presença da árvore casca d'anta cujas propriedades medicinais curavam as antas que nelas se esfregavam).


A vegetação do parque é composta por cerrado, florestas e campos rupestres.

Cerrado é uma vegetação adaptada a uma estação seca e rigorosa, caracterizada por dois estratos vegetais: um mais alto, arborescente, formado de pequenas árvores espaçadas, de caule retorcido, casca espessa e folhas coriáceas; outro que preenche o espaço inferior formado por um tapete contínuo de plantas herbáceas, subarbustivas e arbustivas.

O campo cerrado (a oeste e sudoeste) com estrato arbóreo pouco definido e espaçado e associado ao cerrado senso estrito com maior número de árvores de altura entre 2 e 6m. Onde aparecem o peque, o murici (c/ frutas avermelhadas) e o pau-terra (flores brancas com estrias vinho) e a pixirica (frutinhas verde-jade e tons de azul).
No campo limpo estão presentes a maioria das espécies da família das gramíneas e ciperáceas. Destaca-se uma palmeira baixa com caule subterrâneo conhecida como coco-da-chapada e o trevo, que forma pequenas moitas de flores de amarelo vivo.

O campo sujo tem estrato herbáceo contínuo, com poucas espécies arbustivas e raras árvores de pequeno porte. O angelim-branco e a lixeira de porte arbustivo, produzem frutas procuradas por morcegos e pássaros. A bate-caixa de folhas coriáceas rígidas e com flores amarelas dispostas em inflorescências longas, também está presente.

Nos capões de mata ou mata de galeria, junto às nascentes e ao longo das vertentes dos riachos e ribeirões. Espécies típicas: ata branca com enormes flores creme esverdeado de aroma agradável; casca d'anta com flores brancas; tapiri, muito procurada por saguis que mordem a casca para lamber a resina.

As matas de encosta se estendem ao longo dos paredões do entorno do parque.

O campo rupestre possui espécies capazes de sobreviver entre rochas ou solos rochosos, como as canelas-de-ema com flores de coloração vistosa, a arnica-do-campo, sempre-vivas, orquídeas terrestres ou rupícolas e quaresmeiras. Ocorre em altitudes superiores a 1000m.

Nos últimos 200 anos o homem introduziu espécies para finalidades agropecuárias, gramíneas exóticas para melhorar a nutrição do gado, como o capim meloso, trazem prejuizo e ameaçam de extinção as espécies nativas.

Sua fauna é composta por espécies de médio porte ameaçadas de extinção como:

Lobo-guará: avermelhado, com pelagem longa e membros delgados. Alimentam-se de vegetais, frutas, pequenos mamíferos, aves e insetos. A Lobeira é uma planta que produz uma baga verde e carnosa de polpa doce e cheirosa que é seu principal alimento. É um animal tímido e solitário.
Tamanduá-bandeira: tem língua longa e saliva pegajosa facilitam a captura de formigas e cupins, tem o pelo longo e escuro.
• Onça-parda: de 30 a 120kg, atingindo até 2m de comprimento (da cabeça à ponta da cauda). Tem coloração amarelo claro ao avermelhado, cabeça pequena, solitária.
Tatu-canastra: o mais ameaçado de extinção, cava fossas onde se esconde, tem hábitos noturnos.
• Veado-campeiro: comem folhagens tenras de ervas, brotos de arbustos, frutas e flores. Coloração pardo-avermelhada.

Outros animais silvestres também circulam pelo chapadão: o guariba, sauá, macaco-prego, capivara, paca, irara, furão, ariranha, gato-palheiro, gambá, cuica, morcegos, mico, cachorro do mato, raposinha, coati, mão pelada, jaratataca, lontra, rato silvestre, ouriço, preá, cutia, coelho, etc.
O parque possui 282 espécies de aves catalogadas, dentre elas destacam-se codorna, carcará , garça-vaqueira, perdiz, curiango, coruja, arapaçu, pica-pau, seriema, pássaro preto, sanhaço, trinca ferro, beija flor, tucano, maracanã, anu, papagaio...

O pato-mergulhão é o mais ameaçado de extição. Constrói o ninho no oco das árvores nas matas próximas aos rios de água límpida e corrente. No último estudo realizado por L. Silveira em 1996, foram encontrados 6 pares adultos e mais 22 exemplares.

São cerca de 60 espécies de borboletas.

As precipitações anuais variam entre 1400mm e 1800mm, apesar da prolongada estiagem - de abril a setembro - o subsolo mantém reservatório de água capaz de suprir as vastas raízes da vegetação, pode-se dizer que a seca não atinge o solo além de 2m de profundidade.

O clima é ameno e agradável todo o ano. Onde a altitude supera 1000m, é subtropical moderado úmido. Nas partes mais baixas, incluindo o entorno do Parque é subtropical úmido.
A temperatura varia de 18º a 20º, mas podem chegar a 0º no inverno ou 34º no verão.
A direção predominante dos ventos é leste e a velocidade horária em geral não ultrapassa 19km/h.